Vereador Luan Alves é alvo de mandado em operação contra suposto pagamento de propina para liberar alvarás entre 2017 e 2022, em Goiânia
10/06/2026
(Foto: Reprodução) Vereador Luan Alves é alvo de operação por esquema de propina
O vereador Luan Alves (MDB) e outras seis pessoas foram alvo de mandados de busca e apreensão, nesta quarta-feira (10), em uma operação que investiga suposto pagamento de propina para a liberação de alvarás a empresas de entretenimento em Goiânia. Segundo a investigação, os pagamentos teriam ocorrido entre 2017 e 2022, causando um prejuízo de mais de R$ 400 mil.
Além dos sete alvos de mandados, outras cinco pessoas são investigadas por corrupção ativa, concussão e associação criminosa. Entre eles, segundo a Polícia Civil, há agentes públicos.
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Em nova nota enviada por meio de sua assessoria na tarde de quarta-feira (10), o vereador, que também é ex-presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), disse que foi surpreendido com o mandado de busca e apreensão e que a investigação está em fase de apuração, inexistindo qualquer condenação ou reconhecimento de responsabilidade contra a sua pessoa.
"Como cidadão e agente público, sempre pautei minha atuação pela legalidade, pela transparência e pelo compromisso com o interesse público", disse o vereador, em nota.
O parlamentar afirmou, ainda, que, durante o período em que exerceu funções na administração municipal, todas as suas decisões foram tomadas "dentro dos limites da legislação vigente e das atribuições inerentes" aos cargos por ele ocupados (leia a íntegra ao final da reportagem).
Como parte do período investigado se refere à gestão do ex-prefeito Rogério Cruz, o g1 o procurou para se manifestar sobre a investigação. Em nota enviada por sua assessoria, Cruz informou que não é alvo da investigação e que não teve qualquer participação nos fatos apurados pela operação.
O vereador e presidente da CCJ da Câmara Municipal de Goiânia, Luan Alves
Reprodução/ Perfil do Instagram de Luan Alves
Investigação
Em entrevista ao repórter José Bonfim, da CBN Goiânia, o delegado Danilo Victor Nunes, da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), contou que a investigação acontece desde 2023, quando um empresário denunciou o esquema.
"Teria havido uma prática sistemática de cobrança de vantagens indevidas para que determinada empresa da área de eventos e diversões pudesse obter o alvará de funcionamento e também a renovação da sua licença para atuar em Goiânia", disse Nunes.
De acordo com o delegado, a empresa do denunciante teve que interromper as suas atividades na capital goiana, por não suportar mais as taxas extras.
"A empresa teve um prejuízo de mais de R$ 400 mil. Então, não teve outra escolha senão sair de Goiânia. O empresário não se conformou com isso", relatou.
Como era o esquema
Nunes afirmou que o esquema envolveu pagamento de propina a agentes públicos de pelo menos três secretarias municipais e de uma agência do município:
Secretaria de Desenvolvimento e Economia Criativa ;
Secretaria da Mulher, por meio da diretoria de Eventos;
Secretaria municipal de Governo;
Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma).
O funcionamento acontecia da seguinte forma: quando a empresa realizava os eventos, ao final de cada um, aquilo que ela tivesse faturado precisava ter uma parte separada, para distribuir em forma de rateio, em forma de propina, para garantir o funcionamento do alvará para o próximo evento.
"Mas também constam dos autos que ela tinha sido obrigada a realizar atividades gratuitamente, em forma de vantagem indevida, à prefeitura, em áreas de interesse, espaço de interesse da prefeitura", acrescentou o delegado.
Segundo o delegado, as investigações apuraram que houve pagamentos em espécie, diretamente, e também comprovantes de transferências bancárias para os envolvidos. Mas nem todos os 12 investigados receberam vantagem financeira.
"A maioria realmente indica que de alguma forma se beneficiou economicamente, mas outras tinham atuação específica na forma de facilitar a prática", disse.
Leia a íntegra da nota do vereador Luan Alves:
"Fui surpreendido, nesta data, com o cumprimento de mandado de busca e apreensão no âmbito de investigação conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR).
Recebo a atuação das autoridades com absoluto respeito e tranquilidade, tendo colaborado integralmente com o cumprimento da medida judicial e colocado à disposição todos os esclarecimentos que se fizerem necessários.
Ressalto que a investigação encontra-se em fase de apuração, inexistindo qualquer condenação ou reconhecimento de responsabilidade contra minha pessoa. Como cidadão e agente público, sempre pautei minha atuação pela legalidade, pela transparência e pelo compromisso com o interesse público.
Durante o período em que exerci funções na administração municipal, todas as minhas decisões foram tomadas dentro dos limites da legislação vigente e das atribuições inerentes aos cargos que ocupei.
Também chama atenção o fato de que tais medidas ocorram em um momento de intensa movimentação política e pré-eleitoral no Estado de Goiás. Sou filho do Deputado Estadual Clécio Alves, figura pública amplamente conhecida por suas posições firmes e independentes no cenário político goiano.
Embora confie plenamente nas instituições e no regular funcionamento do Estado Democrático de Direito, não posso deixar de registrar minha preocupação com a coincidência temporal dos fatos, circunstância que naturalmente desperta questionamentos e exige que todo o procedimento seja conduzido com absoluta imparcialidade, transparência e estrita observância das garantias constitucionais.
Tenho plena convicção de que a apuração demonstrará a lisura da minha conduta e a inexistência de qualquer prática irregular de minha parte.
Por respeito à investigação e ao devido processo legal, não farei comentários sobre detalhes do procedimento neste momento. Permanecerei à disposição das autoridades competentes para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos.
Agradeço as inúmeras manifestações de apoio recebidas e reafirmo meu compromisso com a verdade, com a transparência e com a população de Goiânia".
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